Arquivo da categoria: MPB

A DAMA COM O CHAPÉU TUTTI FRUTTI

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Os Beatles não tinham nascido. A psicodelia não fazia sentido. A Tropicália não estava nos dicionários. Até mesmo a palavra pop era, quando muito, uma onomatopéia para explosão, erupção. Mas já havia Carmen Miranda, a mensagem na garrafa que os náufragos de Pindorama jogaram ao mar e que foi parar na terra de Tio Sam no final dos anos 30. Carmen nos States foi uma declaração do nosso imperialismo. Era a principal artista da música brasileira, que na década anterior, na barriga do carnaval de rua e nas ondas do rádio recém instalado, ganhava uma força definitiva como a principal expressão artística popular do país. O jornalista Ruy Castro escreveu a biografia de Carmen e lá tem tudo o que se precisa saber dela.

O coração de Carmen explodiu quando ela se preparava para dormir, no quarto da sua casa em Beverly Hills. Ela já havia tido (passe o cursor sobre o link sublinhado, sem clicar; espere abrir a janelinha do YouTube, aí clique sobre a imagem para ver) um discreto piripaque durante uma apresentação, naquela mesma noite, num show de televisão do apresentador americano Jimmy Durante. Carmen morreu nova, 46 anos, destruída por um extensivo consumo de um coquetel de anfetaminas e barbitúricos, dieta típica do show business americano da época.

Mas ela ainda está na parada. Porque, sem ela, tudo, absolutamente tudo, que aconteceu de importante na música brasileira teria sido diferente. Bossa Nova, Tropicália, Rock Brasileiro.

Este é talvez o primeiro clipe psicodélico e tropicalista da história da música pop.

“The Lady In The Tutti-Frutti Hat”

“Rebola Bola”

“Chica Chica Boom Chic”

“I Like You Very Much”

“Cae, Cae”

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BEN JORGE BEN JOR GE BEN JORGE

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Ninguém enquadra Jorge Ben, embora muita gente, desde que ele apareceu, tenha tentado. Primeiro foi o pessoal da Bossa Nova, que queria fazer dele ícone da defesa das raízes da “genuína” mpb, bandeira muito em voga entre o movimento estudantil dos 60. Só que o Jorge de “Mas que nada” e “Chove chuva” era também o Babulina, como era chamado por Roberto, Erasmo e Tim Maia, com quem curtia e tocava desde a adolescência no Rio de Janeiro. Por isso, muita gente chamou Jorge de traidor, quando ele, em plena batalha entre violões e guitarras, no final da década de 60, resolveu empunhar uma e foi tocar no programa Jovem Guarda, a “aberração imperialista” excomungada pelo pessoal do “culto e engajado” programa Fino da Bossa. Mas, de repente, Jorge também deixou de frequentar a “turma do Roberto” e passou a andar com um pessoal ainda mais estranho (e excomungado), o bando da nascente Tropicália. Logo depois, quando o pessoal da Tropicália pensava ter conquistado um seguidor fiel da estética anárquica propagada por Caetano Veloso e Gilberto Gil, lá vinha o Jorge de novo desafinando o coro dos contentes e seguindo seu próprio caminho, sem dar bola para facções, tendências, correntes ou movimentos.
Abaixo, alguns vídeos que, com som e imagens, explicam bem melhor o que foi dito nas palavras acima. Destaque para Jorge cantando com o agora ministro Gilberto Gil, em recente show realizado na França, e Jorge cantando com os Racionais.
Hoje, Jorge vivem em Orlando, na Flórida, e só dá o ar de sua graça no Brasil para apresentações muito bem pagas ou quando alguém de quem gosta o convida pra tocar de graça. Como o Jorge diria: “Quem pode, pode; quem não pode se sacode”!

Jorge Ben e a Banda do Zé Pretinho – Taj Mahal

Jorge Ben Live 1972

Banda do Zé Pretinho

Jorge Ben – Bebete Vambora

Filho Maravilha – Ben Jor e Gilberto Gil

Jorge Ben e Toquinho – Carolina Carol Bela

Racionais Mc’s 1000 Trutas 1000 … – Abertura (Jorge Ben)

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RAP DE CADA MACACO COM SEU CHICLETE

O Brasil é o caos. Uma delícia de caos. Caos de corpos. Caos de cacofonia. Solda dô-dê-cá-fônica. Eletrônica afonia. Já que sou brasileiro, diga lá camarada Lenine, soul do Jackson do Pandeiro.

O que nos leva a outro galho, ocupado por macaco pesado, na trilha da matilha do pó que vem do chão. Ô leva eu, Riachão

Rap-repente, réptil, repelente, repto latente, um doce cortante, ácido, árido, ávido, Caju e Castanha in the movie.

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